Amo essa canção!

29/06/2010

A Cidade do Sol - Emoção e Reflexão

Sinopse: "Mariam tem 33 anos. Sua mae morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rasheed, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas nao controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: "Você pode ser tudo o que quiser." Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas nao controlam seus destinos. Confrontadas pela História, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sos. E a partir desse momento, embora a História continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do "todo humano", somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios."
Faz um tempinho que acabei de ler esse livro maravilhoso (por indicação da minha amiga Laís) e  estou querendo escrever um pouco sobre o mesmo pois, há muito tempo eu não lia um livro tão comovente quanto esse. É um livro para viajar na cultura afegã, na história e principalmente no universo feminino daquele país.
É triste e lamentável saber que em pleno século XXI, mulheres ainda vivem daquela forma, sofrendo os mais diversos tipos de humilhação que o autor da obra nos mostra, através de Mariam e Laila; presonagens principais do livro.
Fiquei totalmente envolvida com essa leitura e, mesmo sem muito tempo,"devorei" o livro em exatos 13 dias.
Quando li o post da Glorinha sobre a cultura africana e a forma como vivem as mulheres naquele continente, me senti inspirada para falar sobre a condição feminina no Afeganistão.
Logo após ler o livro de Khaled Hosseini, encontrei uma matéria sobre o assunto , onde vi dados alarmantes sobre a condição (atual) das mulheres afegãs:
*"A aplicação de castigos físicos a mulheres de "mau comportamento" continua a ser vista como um dever e um direito da família. Uma pesquisa feita em 2008 com 4 700 afegãs mostrou que 87% já tinham sido vítimas de espancamentos ou abusos sexuais e psicológicos.
* No Afeganistão, apenas 15% das mulheres com mais de 15 anos sabem ler e escrever.
* Entre 2008 e 2009, ao menos oitenta afegãs tentaram o suicídio ateando fogo ao prórpio corpo. Na província de Herat, a oeste de Cabul, a incidência desse tipo de episódio é tão alta que o principal hospital da região montou uma unidade para atender exclusivamente a casos assim (a grande maioria é de mulhres com no máximo 26 anos que se dizem cansadas da vida)
Gente, imagine o sofrimento profundo dessas mulhres que no auge da juventude  já não querem mais continuar vivendo.
* A segregação sexista faz com que até nos saguões dos aeroportos e nas festas de casamento exista um "setor feminino".
* Nove anos depois da queda do regime do Talibã, as afegãs continuam pagando a parte mais pesada da conta do fundamentalismo religioso. Nas ruas, a maioria (um percentual de 70%)  ainda usa a burca (não porquê gostam mas porquê são obrigadas, por seus homens), metade delas ainda casa antes dos 16 anos, com alguém escolhido pela família e  embora o regime Talibã tenha "caído" há um tempo, elas não ousam desafiar muitas  regras que foram impostas naquela época.

Segundo o último relatório feito pelo Unicef, o Afeganistão foi considerado o lugar mais perigoso do mundo para gerar uma criança mas...Se essa criança for do sexo feminino, nascer é ainda muito pior.
Um assunto que sem dúvida, merece, no mínimo, uma reflexão.

12 comentários:

Eliana Pessoa disse...

Depois de ler esse post é que vemos como somos felizes ,somos donas do nosso destino e das nossas vidas mesmo sendo casadas!
Bem é assim que me sinto!!!
beijo

www.comtextosdavida.com disse...

Quando li este livro fiquei penalizada,com as condições de vida das mulheres afegãs. Somos privilegiada, pelo menos é o como me sinto.
Valeu o post sobre o livro!Insentivar a leitura sempre é bom,
num país de analfabetos funcionais, como o nosso.
bjs Lais

Clau Finotti disse...

Oiê!
Realmente é uma cultura muito diferente da nossa. Aqui tem machismo, superexposição e vulgarização das mulheres, mas aqui pelo menos podemos escolher como ser, que atitudes tomar. Se não queremos casar, ninguém nos obriga. Credo... viver sem liberdade realmente deve fazer a gente perder a vontade de tudo e até querer perder a própria vida...

Mauro S disse...

Esta cultura é uma cultura doentia, e quem criou esta filosofia de vida, que vem de sabe-se lá quantos anos, deveria passar pela mesma coisa, pessoas que não respeitam a vontade do ser humano, que vem a mulher apenas como um objeto.
Uma mulher tomeu uns goles de cerveja, e foi punida rigorosamente, escrevi no meu blog em posts passados, outra vestiu jeans, da mesma forma foi punida.
Se eu continuar digitando, não sei se vai ser legal, porque simplesmente não posso respeitar um povo com leis absurdas, e como você disse, em pleno século XXI.
É um atraso, ler o que li, que jovens mulheres buscam o suicídio...
Que Deus as abençoe!
Beijos!

Luma Rosa disse...

Grande sensibilidade do escritor, sendo ele um homem afegão! Pelo que sei não é somente as mulheres afegãs que sofrem depois que o taliban tomou o poder. Os homens não podem tirar a barba e se fazem, vão presos. As barbas tem que ser compridas. Tem que rezar cinco vezes no dia, não podem beber que são açoitados publicamente, música também não podem escutar, a não ser os cantos do alcorão ou dos taliban. Lá ainda usam a lei, dente por dente, olho por olho...
Mulheres são escravas! Fiquei sabendo também que um homem estranho não pode ouvir o riso de uma mulher. Se isto acontecer, a mulher é surrada até a morte. E como as mulheres não trabalham fora e homens médicos não podem examiná-las, se ficam grávidas e a gravidez é de risco, invariavelmente o bebê morre.
Li recentemente o livro "Cisnes Selvagens" de Jung Chang que fala da condição feminina na China. Lá existe um processo de enfaixamento dos pés para que estes não cresçam, a dor é insuportável, porque a pele chega a apodrecer por ficar constantemente envolta, apertada pelos panos e os ossos ficam todos deformados.
Dá pra imaginar o que estes povos, mundão afora pensam da nossa mulatam sambando? (rs*) Beijus,

Mônica - Sacerdotisa da Deusa disse...

Oi Yoyo!

Sem dúvida flor, este assunto merece uma reflexão!
Mas dá uma agonia de saber que isso ainda acontece! O que fazer...pelos Deuses, é triste demais!!! Sabemos que cada povo tem a sua missão, o seu carma, mas mesmo assim isso machuca o nosso sensível coração de mulheres que somos...peço sempre a Grande Deusa Mãe que olhe pelas mulheres do mundo que ainda tem que passar por este tipo de provação.
Fica aqui o meu respeito pela história que cada um escolheu passar, antes de encarnar neste planeta, que é lindo, mas é tbm uma grande escola de provas e expiações...
Beijinhos no seu doce ♥.

Flores e Luz.

Suzanna disse...

Bo Dia Yoyo
è mesmo impressionante, a situaçao em que vivem estas pobres mulheres.
Não é a to que ddesistem da vida tão cedo.
Infelizmente pouco podemos fazer.
Li este livro em 2008 e fiquei impressionada com os relatos, e depois fiz uma releitura em óleo sobre tela da capa, ficou muito bonita a tela e é estranho, esconde uma solidão e uma esperança de igual tamanho mrdtr caminhar rumo ao sol, à luz.
Não dápara esquecer de agradecer por vivermos em um país livre.
Bjokas
Su

Manuela Freitas disse...

Olá querida Yoyo,
Tudo bem presentemente? Espero que si.
Não li esse livro, mas li outros com a mesma temática. Povos que foram mais avançados e que devido aos fundamentalismos religiosos, sofrem hoje de grande atraso a nível da mentalidade.
No século XIX, as mulheres ocidentais eram propriedade de...e senão andavam de burka, saiam pouco de casa. A luta feminista foi essencial para ultrapassar esta situação. As mudanças de mentalidade passam por uma luta! Quando no ano passado estive em Londres e vi tantas burkas, fiquei abismada e perplexa, nem sei se elas até gostam disso!
Aqui em Portugal as africanas fazem a excisão do clitóris, punida cá por lei, estão tão amarradas às crenças e aos rituais!!!!
Beijinhos,
Manú

Beth/Lilás disse...

Olá Yoyo!
Ah, esse livro é muito bom e já li os dois deste autor também.
Aliás, há 3 anos quando comecei a ler este autor, fiquei interessada neste mundo do Afeganistão e do próprio islamismo e sai comprando livro após livro sobre este povo e sua cultura, fiquei mergulhada por quase um ano só lendo sobre eles. Li a saga da Princesa que são 3 volumes e fiquei impressionada com o que ela conta e é tudo verdade, sobre a vida das mulheres nestes países que estão até hoje fechados para outros povos e ainda dominam as mulheres tão terrivelmente.
O Afeganistão, por exemplo, é o fim do mundo, esquecido no tempo e no espaço e acho que não tem mais jeito. Pena das mulheres e crianças!
bjs cariocas

Por toda minha Vida disse...

Boa tarde.

Li o livro e passei dias pensando e sofrendo se ainda fosse ficção contudo não.
Refletir foi automático, vale apena reler e descobrir fatos novos.
Me lembrei do quanto de esperança que Mariam tinha no pai e o quanto sofreu no dia que foi dada ao homem que seria seu castigo até sua morte, se matar o marido foi correto não cabe uma opinião mas ela sabia que ali naquele momento assinou sua setença.

Escrevi demais, desculpa.

Renata

Yoyo Pizy disse...

Obrigada a todos voces que passaram por aqui e refletiram comigo sobre esse assunto tão triste.
Beijos

Rejane Voigt disse...

Li este livro e confesso que foi difícil terminar a leitura, não porque o texto não estivesse interessante, ao contrário, porque por muitas vezes, se fez necessário parar e refletir sobre os acontecimentos, só então conseguia, com o coração apertado, seguir em frente. Gostaria de parabenizar ao autor e recomendar esta leitura a todo ser humano como uma lição de vida, de superação e de força!