Amo essa canção!

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23/01/2011

Uma Estória de Amor- Blogagem Coletiva da She

Hoje tem festa no blog da minha amiga She. Seu cantinho está completando 3 anos de existência e para comemorar, estamos fazendo uma blogagem coletiva intitulada "Uma Estória de Amor".
Antes de começar a contar a estória (ou seria história?... Fica o suspense no ar) quero parabenizar a minha querida amiga, pelo blog incrível e bem escrito que ela tem até hoje. Manter um blog durante todo esse tempo, com capricho e qualidade, realmente  não é  para qualquer um.
Quero também convidar vocês, que ainda não conhecem o espaço da minha amiga,  para darem uma passadinha por lá, pois estou certa de que irão amar. Basta que cliquem aqui.

Eis aqui a "minha" estória de amor:


Eles estavam pedidamente apaixonados, desde o momento em que se viram pela primeira vez, mas a distância  entre eles, era de milhares de quilômetros  portanto, raramente se viam. Até que um certo dia, ela recebeu um telefonema, no qual ele dizia que naquela mesma semana estaria viajando a serviço, que passaria um longo período fora, ainda mais longe .
Com a voz embargada pelas lágrimas, ela sentiu o coração apertar, e pela primeira vez, sentiu medo de perdê-lo, embora soubesse que aquela relação tinha sido construida a distância. Mas agora era diferente, ela sabia que era diferente, mesmo não sabendo explicar essa diferença.
Os dias se passaram, até que o telefone tocou. Do outro lado, a voz do seu amor era inconfundível e soava como brisa ao nascer do dia, em uma aconchegante manhã de outono.  Mas de repente, seu coração ficou tão aquecido quanto a chama da lareira em sua sala. Ela não acreditava no que estava ouvindo e pediu ao seu amado para repetir tudo que ele havia dito, do outro lado da linha, palavra por palavra; e assim ele fez, até que ela realmente acreditasse naquela proposta, cujos detalhes não passavam de meros detalhes e que portanto, seriam esquecidos minutos depois. Afinal, o que mais nesse mundo poderia ter importância, diante do seguinte pedido:
- Vem. Fica comigo!
Ela fez todos os prepartivos e partiu. Partiu ao encontro daquele homem maravilhoso, em quem não conseguia deixar de pensar dia e noite.  Partiu sem dinheiro nenhum, pois não tinha se preparado com antecedência para aquele momento. Levou somente  uma pequena mala e sua bolsa, contendo documentos e maquiagem, afinal precisava ficar bonita para ele, quando chegasse ao seu destino.
Tinha medo de voar, porém, mesmo assim encarou quase 9 horas de vôo com  turbulência, e uma ansiedade sem fim, principalmente depois que se deu conta de que não tinha, sequer, um endereço de hotel, nem também o telefone de onde ele estava hospedado e celulares não existiam nessa época. Além  disso, ela nunca tinha viajado para tão longe, e muito menos conhecia aquele lugar. Mesmo assim, acreditava que tudo daria certo, pois, confiava em seu amor e sabia que ele nunca a deixaria só.
Depois de toda essa angústia, seu avião finalmente aterrissou no naquele solo onde seu amor pisava e apenas isso bastava para que sua confiança aumentasse, mesmo quando ele demorou cerca de uma hora para chegar ao aeroporto e abraçá-la.
Passaram dias maravilhosos juntos, foram dias dignos de verdadeiros contos de fada; passaram noites  incríveis regadas a vinho  de qualidade duvidosa  e  paixão avassaladora, até que ela sentiu que precisava voltar. A vida terrena a chamava de volta, já que durante todo esse tempo ela vivera nas nuvens.
 Numa madrugada de quente de verão, chorando muito, ela embarcou de volta.Seu pranto era tanto que os soluços faziam com que ela quase tivesse um convulsão, comovendo todos os comissários de bordo que lhe trouxeram chá de camomila e fizeram de tudo para acalmá-la.
É certo que ela estava tomada pela paixão, e as pessoas tomadas por esse sentimento ficam com a sensibilidade a flor da pele.
Tudo, absolutamente tudo naquela estória, era emocionante para ela, mas o ápice dessa emoção se deu quando, na hora da decolagem do avião que estava levando-a para longe dele, ela olhou para fora vendo surgir os primeiros raios da manhã e lá na pista estava ele, correndo feito louco  e acenando com as duas mãos. À princípio, pensou que era uma miragem, mas depois teve a certeza de que ele, de alguma forma, certamente  burlou a segurança do aeroporto, apenas para declarar o seu amor.

20/08/2010

Autoestima - Blogagem Coletiva Sentimentos

Clarice era jovem, inteligente, cheia de vida e segura de si. Como se não bastasse tudo isso, ainda era linda, de uma beleza estonteante; era invejada pelas mulheres  e desejada pelos homens que a cercavam. Sonhadora  e romântica,  ela esperava pelo príncipe encantado e tinha a mais absoluta certeza de que ele não tardaria a chegar.
Quando conheceu Pedro, em um luau, ficou impressionada com suas palavras bem articuladas, com seus gestos ensaiados e sua inteligência regada a wísque barato. Não demorou mais do que alguns instantes para que ela se apaixonasse perdidamente por ele, e demorou menos ainda para  concluir que Pedro era o homem da sua vida . Com essa certeza no coração  aceitou prontamente quando ele a pediu em casamento, ficando tão radiante que esquecera  que tinha vida própria. Entregou-se , sem reserva, a esse homem, que a partir daquele momento, tornou-se o soberano senhor do seu destino, a quem confiou seus segredos mais íntimos, a quem entregou seu corpo impecável, a quem ofereceu seus sonhos e até mesmo a chave da sua vida, transformando-o  no guardião da sua felicidade.
Pouco a pouco porém, sem se dar conta do que  acontecia ao seu redor, Clarice foi perdendo seu brilho, foi murchando como uma flor que perde seu viço e cabisbaixa olha para o chão, cujo lugar seria, em pouco tempo, seu inevitável destino.
Aquele homem a quem ela entregou-se cegamente, transformou-se  logo depois em seu carrasco. Ele a insultva, a humilhava, a desprezava sem ao menos lhe dizer o motivo pelo qual a rejeitava tanto assim. Enquanto isso, Clarice tentava desesperadamente tocá-lo, beijá-lo, na esperança de que ele voltasse a ser o príncipe que ela um dia acreditou que fosse, porém, quanto mais ela se debatia nessa luta infrutífera, ele ia se mostrando o sapo que sempre fora, e aquela mulher linda e exuberante ia  desmoranando junto com  seus sonhos, com sua alegria de viver, e definhando ela se perguntva:
- Onde, afinal, foi que eu errei? Será que ele me despreza assim, porque deixei  de me vestir adequadamente? Será que não li o suficiente para aumentar minha cultura e  atualizar minhas conversas? Quem sabe se eu comprar um perfume diferente, renovar o estoque de lingerie ou fizer um novo corte de cabelo...Talvez ele volte  a me enxergar.
Com todos esse pensamentos distorcendo sua cabeça, ela saía em busca de todo e qualquer artifício que lhe trouxesse de volta aqueles dias gloriosos de paixão. Apesar de todos os seus esforços, Pedro se mantinha irredutível e a fazia acreditar que agora, além de feia, ela era chata, pegajosa como um chiclete mascado durante horas. Já Clarice...Ela assimilava essas idéias com uma dor mortal; era como se um punhal tivesse sido cravado em seu peito e ela, de fato, passou a acreditar, piamente, que já não era  digna do amor daquele homem, pois  havia se tornado a mais horrenda das criaturas. Pouco a pouco deixou de se alimentar e descobriu na bebida o alento que precisava, quando estava embriagada não pensava, não conseguia enxergar a dimensão de sua dor. O sono, antes excessivo,  foi ficando cada vez mais escasso e ela foi mergulhando na escuridão total, tanto ela quanto seus dias e noites eram feitos da mesma matéria, eram feitos da mesma escuridão inteminável que invadia-lhe as profundezas da alma, que a tornava diminuta diante da vida e não deixava penetrar nenhum raio de sol.
Meses transcorreram e por anos e anos ela ficou imersa naquela sombrio inverno da  sua vida. Até que um dia, meio que sem querer, ela acabou encontrando um filete de luz azul que a conduziu de volta ao reino da sensatez, e ali, ela se deu conta que o seu único erro foi ter deixado de amar a pessoa mais importante da sua vida: ela própria.
Apesar das perdas irreparáveis, dos danos acumulados em todos aqueles anos, ela viu que ainda havia tempo para recomeçar, para recuperar a chave do seu destino, e principalmente, para recuperar um dos seus maiores tesouros, a sua autoestima.

Essa postagem faz parte da Blogagem Sentimentos, proposta pela Glorinha do blog Café com Bolo