Amo essa canção!

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04/06/2011

Na Solidão da Noite

Nessa noite tão fria, sinto o aconchego da luz das velas que aquecem o ambiente e iluminam meu coração. 
Sinto o calor do vinho, percorrendo meu corpo e penetrando minhas entranhas.
Sinto os devaneios bobos do pensamento, invadindo a minha mente.
Só o que não sinto, é o aconchego do teu peito nu a me aquecer a alma.
Só o que não sinto, é o calor das tuas mãos percorrendo meu corpo, em busca dos caminhos mais recônditos
Só o que não sinto, é o roçar das tuas coxas entre as minhas em busca da paz que nos invade o peito, após o cansaço do amor.
E assim... Na solidão da noite, ao som da melodia do relógio que insite em me lembrar das horas, vou me prguntando:
- Onde andarás agora? Em que pensas nesse exato instante? O que faz com que teu coração palpite, ao som da canção imaginária que o meu coração entoa?
Não, não quero pensar...
Não quero quebrar a magia desse momento com a frieza que é peculiar a realidade.
Quero continuar nesse torpor que o vinho me proporciona, 
Quero navegar  nesse silêncio da embriaguez,
E sozinha, me deixar levar pela fluidez dos sonhos,
Pelas profundezas dos pensamentos vãos, pelos campos de lavanda, com seu perfume que exala no ambiente da minha imaginação.
E me deixar cair no sono de quem sabe que é amado, desejado, esperado.

16/05/2011

Um Dia de Reflexão

Hoje não acordei nada bem. Decidi que não iria ao trabalho,vou assumir a  minha falta, pois meus sentimentos, neste dia, não são os melhores, e como disse Chico Xavier: 'Fico triste quando alguém me ofende, porém ficaria mais triste ainda seu eu fosse o ofensor'.
Em dias assim, em que tudo parece estar na penumbra, aprendi que é melhor ficar recolhida no meu canto, até porque não tenho vontade de falar com ninguém, muito menos de ver alguém. O que eu gostaria mesmo era de poder estar no meio do mato, no alto das montanhas, sentindo o vento frio de outono  batendo nos meus cabelos, sentindo o cheiro de mato, de estar cercada de bichos e de livros, mas não de pessoas.
O contato com a natureza me revigora e eu sinto  a necessidade desse contato, apesar de morar em uma das maiores cidades do mundo.E pensar que já fui tão urbana, um dia...Hoje sou bicho do mato  e  com medo de gente.
Estou lendo um livro excelente,  que está me fazendo compreender muita coisa sobre o momento que estou vivendo,  onde a autora afirma que essa compreensão de nós mesmas só é possível com a chegada da maturidade... Apesar de concordar com essa afirmação, fiquei me perguntando:de vale essa compreensão de nós mesmas quando já não podemos fazer muita coisa para reverter alguns processos, se não podemos voltar no tempo para corrigir alguns erros cometidos, se não podemos mudar as pessoas e principalmente seu modo de agir. Será que essa tomada de consciência, essa compreensão de nós mesmas, não é algo que nos faz apenas sofrer demais?
Ando tão triste com o ser humano! Parece que as pessoas se esqueceram dos valores primordiais da vida, aqueles valores que diferenciam seres pensantes e civilizados dos animais irracionais; animais irracionais só matam por uma questão de  sobrevivência, ou quando estão sendo/sentindo-se  ameaçados.                                        Seres "humanos" matam pelo simples prazer de matar e matam diariamente. Mesmos quando não matam literalmente,matam de outra forma, matam sentimentos  puros e verdadeiros.
Amizade hoje em dia parece ser algo sem o menor valor, algo que pode ser jogado na lata do lixo,descartado a qualquer momento sem que isso  cause a menor dor ou o menor constrangimento... Se até filhos, hoje em dia, são jogados nas latas de lixo, porque esperar que uma sociedade como essa tenha algum sentimento mais profundo!
Pergunto-me todos os dias: para onde estamos caminhando enquanto sociedade, em que direção o ser humano caminha, como podem as pessoas não se darem conta das barbáries que estão cometendo, das injustiças, das atrocidades, das maldades que estão transbordando de seus corações! Ética e respeito pelos outros são valores que  parecem não existir mais, estamos vivendo uma era de caos absoluto, e onde será que isso vai dar?

06/04/2011

Luto

Estou passando rápido, apenas  para agradecer aos amigos que estiveram aqui, que leram meu post anterior,que fizeram suas orações e mandaram suas vibrações positivas para minha amiga e sua filha acidentada. Infelizmente, a menina não resistiu mais e faleceu ontem à noite...
Hoje foi um dia de extremo pesar  e tristeza para todos nós que trabalhamos com a mãe dessa menina...
Daqui a pouco sairemos para o velório, e amanhã será o sepultamento da Joyce.
Sei de antemão que esse encontro com a minha amiga não será nada fácil, pois acredito que pelas leis naturais da vida, pais e mães jamais deveriam enterrar seus filhos, e penso que essa é a maior dor que um ser humano pode sentir.

04/04/2011

Uma Grande Tristeza

Caros amigos,
Hoje recebi uma notícia triste demais. Fiquei sabendo que no último sábado, a filha de uma pessoa muito querida, que trabalhou comigo no ano passado,  foi atropelada por um ônibus que trafegava em alta velocidade na Av. Lucas Nogueira Garcez; aqui  próximo, no ABC Paulista. 
Minha amiga é mãe de duas moças lindas, inteligentes, super estudiosas e ótimas filhas. Daquelas filhas que toda mãe sonha em ter. Sempre que conversamos falamos o quanto somos felizardas por termos tido o privilégio de colocar no mundo seres humanos tão incríveis.
Não faz muito tempo, a Cida (minha amiga) me telefonou e disse que  estava bastante feliz, pois tudo na sua vida estava tão bem encaixado, ela estava trabalhando perto da sua casa (para onde pediu remoção no fim  do ano), seu marido estava bem profissionalmente, suas filhas iam bem na faculdade, enfim, tudo corria tranquilamente, como ela sempre desejou. Porém, no último sábado, as coisas mudaram dramaticamente para a minha amiga, quando sua  filha caçula, com 19 anos, voltava das suas aulas de inglês e foi pega de surpresa por um motorista desatento ( ou talvez irresponsável...não sei ainda todos os detalhes, portanto não posso julgar).
A menina está em coma profundo. Segundo a tia, com quem falei agora há pouco,  ontem o médico chegou a decretar morte cerebral, mas momentos depois ela deu sinais de vida e hoje a temperatura do corpo subiu um pouquinho mais.
Estou atônita, minha cabeça gira, meu coração dói, não consegui nem sequer almoçar, não consigo parar de pensar no quanto somos frágeis diante da vida... Sou mãe também, e por já ter passado situação semelhante, posso imaginar o tamanho da dor que essa mãe está sentindo.
É por isso  que venho pedir a vocês que orem pela Joyce (esse é o nome da menina), que orem também pela minha amiga, para que ela possa suportar esse momento de incomensurável dor. Orem, seja lá qual for a crença de vocês, por favor, juntem-se a mim em oração...

12/03/2011

Vou-me Embora pra Pasárgada...


Hoje estou cinza, como o dia lá fora; estou sem muitas palavras, com um desânimo absoluto, uma vontade enorme de ir embora para bem longe. Sinto-me cidadã do mundo e sinto-me estrangeira em meu próprio país.
Tem horas (muitas e muitas vezes, quase todos os dias) que sinto não pertencer a esse lugar. Para corroborar meus sentimentos, busquei alento nas palavras de Manuel Bandeira, que nesse instante, me caem como uma luva.


Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive...

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização...

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

*  Trechos soltos, do poema Pasárgada, de Manuel Bandeira.
Extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

12/01/2011

"Navegar é Preciso ..." Ancorar também

Meus queridos e queridas,
Como sabem estive fora por um tempo. Fui navegar outros mares... As ondas estavam favoráveis e eu segui o curso do vento. Estive (e ainda estou) construindo um sonho, perseguindo objetivos, e embora pareça que não, isso tudo não é  fácil, demanda tempo, requer uma dedicação quase que absoluta, e eu tive que me envolver, fazer escolhas. Enquanto   cristãos do mundo inteiro comemoravam o Natal e todos celebravam o Ano Novo, eu assitia a tudo da janela do meu apartamento entre um café e outro, no intervalo necessário de um trabalho que me consumia até altas horas da madrugada. Mas, sinceramente, eu não me queixo nem um pouco (estou apenas contando para vocês como foram meus dias, no tempo que estive ausente daqui); não me queixo pois, acredito que "tudo vale à pena se a alma não é pequena...", são os sonhos que nos mantém vivos e eu quero sonhar e realizar sonhos até o meu último dia  de vida.
Estive ausente, porém, sempre que podia dava uma olhadinha em algum post dos amigos e me revigorava com as coisas lindas que vocês escreviam e com as reflexões sobre o ano que chegava.
Mas enfim, assim como "navegar é preciso...", lançar a âncora também se faz necessário, e portanto estou de volta ao meu porto, para compartilhar com vocês as minhas alegrias, as minhas angústias, as minhas conquistas, e para continuar aprendendo com cada um de vocês, muitas coisas que só aqui eu tive o prazer de descobrir.
Minhas metas para esse novo ano? Ah, são muitas! Algumas mais urgentes, outras nem tanto, porém, igualmente importantes. Apesar disso, quero ter os pés no chão e não desejo fazer planos mirabolantes, traçar metas impossíveis de serem alcançadas e por conta disso, penso que fui até modesta na minha lista a seguir:

1) Não apenas quero, como preciso emagrecer urgente (engordei demais nesse último ano e isso está me causando um grande estresse) . Não quero nada  de receitas milagrosas, nem remédios da moda; preciso apenas fechar a boca e comer de forma correta, não posso mais usar a comida como uma muleta para as minhas frustrações. Isso é fato.

2) Fazer exercício físico - Sinceramente odeio, porém, caí na real. Vi que isso é algo imprescindível para envelhecer bem e com qualidade de vida.

3) Fazer terapia - Chega de tentar curar sozinha as dores da alma. Já fiz análise por muito tempo e parei, não tanto por vontade própria, mas por influência  do marido que acha isso uma tremenda "balela"(coisas do pessoal das ciências exatas) . Ele diz que estou perdendo tempo e dinheiro, mas eu não concordo e agora vou voltar a fazer.

4) Cuidar mais da minha espiritualidade ( nada tem a ver com religião).

5) Investir mais ( dinheiro mesmo)  em minha atividade que está me dando enorme prazer e algum retorno. Até já comecei a fazer isso.

6) Investir mais tempo  e criar estratégias para divulgar mais o meu trabalho.

7) Cuidar mais da minha saúde - Isso eu negligenciei bastante nos últimos dois anos (especialmente no último ano); deixei de prestar atenção aos sinais que meu corpo deu...Uma dorzinha aqui, outra ali e eu nem liguei, mas agora isso vai mudar.

8)  Cuidar mais da minha aparência - Algo que deixei um tanto de lado e isso não me fez bem; Quando gostamos do que vemos no espelho, nos sentimos mais confiantes para seguir a vida. Comecei a mudar essa realidade hoje mesmo: cortei, bem curto,  o cabelão que estava quase na cintura e pesando na minha fisionomia. Estou até me sentindo uma pin up,rsrs. Qualquer dia desses, posto uma foto para mostar como ficou.

9) Organizar melhor as minhas coisas, como gavetas e outras   tantas coisinhas. Por falta de tempo ( e de ânimo, confesso) não fiz isso no ano passado. Ganha-se muito mais tempo, com uma vida organizada.

9) Continuar lendo pelo menos um livro por mês. Isso eu só deixei de fazer no mês passado, ainda bem.

10) Ir ao cinema pelo mesmo uma vez por mês. São tantos filmes legais, tantas possibilidades; moro na cidade que talvez mais opção cinematrográfica ofereça e eu não  tenho  aproveitado isso. Agora, será diferente.

11) Ver pelo mesmo uma exposição de arte por mês. Algo fundamental para quem, como eu, tem toda a formação voltada para as artes.

12) Uma vez por semana, se possível, encontrar com alguma amiga, mesmo que seja apenas para falar bobagem. Não seve bate-papo por telefone, nem por skype, nem troca de email. Terá que ser ao vivo, nosso encontro. Fiz isso hoje, e foi algo que me fez um bem enorme.

Bem queridos, por hoje é só. Já falei muito,rs

24/11/2010

Um Adeus Não Definitivo

Um misto de alegria e tristeza invade meu coração ao escrever este post. Alegria, porque as notícias que trago são de coisas boas, de novos mundos, de perspectivas que se abrem aos meus pés, orientando-me na direção de novos caminhos.Tristeza, porque esse novos caminhos me obrigam a vir aqui, para me despedir de vocês, e como isso dói!
Sou intensa (demais) em meus sentimentos, costumo dizer que sou um coração com pernas andando por aí, rs. Certamente já perceberam isso, através das minhas palavras, pois me revelo em cada post e até já escrevi uma vez, que não sei viver as coisas pela metade, que quando gosto das pessoas, me envolvo, me entrego de verdade e sem reservas.
No começo da minha caminhda pelo mundo da blogosfera, eu não imaginei que seria assim também, porém, não demorou muito para eu sentir que vocês já faziam parte da minha vida, do meu dia-a-dia, o quanto são importantes para mim, e se tem uma coisa nessa vida com qual nunca aprendi a lidar, é o adeus. Mesmo que esse adeus não seja definitivo, como é o caso.
Sim meus amigos, estou aqui hoje para dizer um até logo. Já expliquei nas duas postagens anteriores os motivos pelos quais tenho ficado ausente do blog, mas sinto-me na obrigação de fazer esse post hoje, já que não tenho tido tempo nem mesmo para umas poucas linhas ou para visitas esporádicas. E acreditem: é algo que faço com o coração partido.
Lembro-me de ter compartilhado com vocês, momentos de muita angústia em relação ao meu trabalho formal, no primeiro semestre desse ano, e foram tantas outras perdas materiais...
Em determinado momento, até escrevi coisas assim:
- sabe aqueles dias que tudo dá errado e você sente que não deveria nem ter saído da cama? Pois é, hoje (ou melhor, ontem...Acabo de me dar conta que já estamos na quarta-feira) parecia que o mundo estava desabando em cima de mim. Mas não de uma vez só e sim aos poucos, como se o massacre tivesse que ser lento, um veneno ingerido a conta - gotas para que a agonia perdurasse pelas longas 24 horas dessa interminável terça-feira, 27 de Abril. Um martírio, deveras...
Alias, ultimamente os meus dias têm sido bastante tumultuados e nessas últimas semanas então...Parece até que estou vivendo o meu inferno astral, uma prova de resitência, de paciência, mas eu estou sangrando por dentro pois, só sei viver por inteiro, não acredito em meias verdades; como diz um provérbio chinês, meias verdades são sempre mentiras inteiras. Não consigo me vender pelo preço de um salário no fim do mês, tendo que violar as minhas mais absolutas convicções.
Se eu tivesse optado pela carreira de artista plástica, certamente seria uma Expressionista e a minha obra seria auto biográfica.Talvez eu pintasse algo parecido com a tela "O Grito" , onde Munch retratou a angústia humana através de um grito; um grito de pânico da figura que tapa os ouvidos e dá as costas ao sol, à natureza, às pessoas, porque tudo parece estar contra ela, que se isola em sua dramática solidão, sucumbindo ao horror que vem de dentro.
Foi assim... Sem grandes perspectivas e com muito desânimo que passei boa parte desse ano, porém, como tudo na vida é passageiro, acredito que esses momentos, estão se tornando páginas viradas.
Ainda não posso dar uma guinada de 180 graus em minha vida, se estou no caminho certo, eu não sei, mas....O importante é não ficar parada, tenho mente inquieta por natureza. Vejo novos horizontes se abrindo, vejo luzes piscando em minha direção e estou correndo ao encontro delas, pois creio que as coisas acontecem no momento que precisam acontecer, que as oportunidades nem sempre batem duas vezes em nossas portas e que portanto, precisamos estar atenos a elas e agarrá-las com "unhas e dentes". É o que estou fazendo agora, e por conta disso, ficarei ausente daqui até dezembro.
De vez em quando, farei um post ou outro, em meu blog Photografia & Cia, portanto, se sentirem a minha falta, poderão dar uma passadinha por lá, mas já não estou certa de que conseguirei visitar vocês até o Natal, pois peguei um projeto grande para executar e trabalharei dia e noite, sem parar.
Agora, deixo vocês com um vídeo de uma artista que eu adoro, cantando uma música com a qual me identifico muito e que diz:
"Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber

Que lugar me pertence que eu possa abandonar
Que lugar me contém que possa me parar

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada, sempre distante

Vou errando enquanto o tempo me deixar
Errando enquanto o tempo me deixar... "


Créditos:
Imagem Google (autor desconhecido)

11/10/2010

Dia das Crianças - Onde Está a Infância?

Por aqui, amanhã se comemora o Dia das Crianças. Já faz muito tempo que fico refletindo sobre elas e me preocupo muito com isso.
O que vejo no meu dia-a-dia, o que presencio a cada instante, são crianças agindo, falando e se comportando como  se fossem adultos; o pior é que nem sempre imitam  e se comportam como adultos de bem.Vejo na TV, a todo momento, propagandas específicas para esse dia, nas quais as crianças são incentivadas a pedirem de presente aos seus pais, aparelhos eletrônicos de última geração, celulares com câmeras fotográficas  que as meninas certamente usarão para fazerem fotos em poses sensuais e postarem nas redes sociais e por aí vai.
 Criança não gosta mais de brinquedos? Não tem apreço pelos livros? São tantos livros infantis  maravilhosos que existem no mercado, mas eles são ignorados pelas crianças e o que é pior, com o aval dos pais (sem querer generalizar).
Onde será que foi parar a infância das nossas crianças? Que a mídia é perversa, já sabemos disso, mas porque será que pais e mães não se dão conta de que estão entrando nesse jogo de perversidade contra as crianças?
Outro dia, eu estava no salão de beleza e chegou uma jovem mãe com a filha pequena (por volta de 8 anos) para fazer as unhas ( manicure e pedicure) e a menina optou por pintá-las com um esmalte bem vermelho. A mãe exibia isso orgulhosamente, falando para todos os presentes sobre o quanto a filha é vaidosa e o quanto ela incentiva a menina a isso, levando-a toda semana ao salão de beleza para fazer as unhas e escovar os cabelos (detalhe: com mechas coloridas!).
Ao sairem do salão não resiti e comentei com a cabelereira que eu acho isso uma coisa absurda, algo inapropriado para aquela idade. Pela cara com que muitas pessoas me olharam, devo ter sido rotulada  de chata, careta e coisas piores. 
A cabelereira então me contou, que tem uma cliente que leva a filha de 11 anos, para fazer depilação, com cera, nas pernas e na sombrancelha. Fiquei estarrecida com aquilo, porém, me lembrei que conheço várias meninas por volta de 8, 9 anos, cujas mães fazem escova progressiva nos cabelos. Só para lembrar, essa história de que existe  químico para escova progressiva sem adição de formol é pura "balela". Todos levam formol, sim! E o formol é uma dos produtos químicos que mais causam prejuízo ao ser humano.
Fico pensando onde isso tudo levará as nossas crianças, que estão tendo sua infância roubada em nome de uma vaidade sem limites, em nome de uma sensualidade completamente fora de hora, que faz com que elas estejam se  desenvolvendo fisicamente de maneira precoce, por conta dos milhões de estímulos recebidos nesse sentido, sem que  tenham nenhuma maturidade mental para arcarem com as consequências que isso acarreta. 
Contando outra historinha (infelizmente verdadeira), outro dia pedi a um menino de 7 anos que desenhasse seu auto-retrato. Ele fez o desenho em uma academia de ginástica, "puxando ferro"  e com os braços e pernas super musculosos. Ao indagá-lo sobre aquele desenho, ele disse-me que seu pai prometeu que no próximo ano irá matriculá-lo em uma academia de ginástica, para que ele já cresca  com o corpo"sarado".
Então, diante de tudo isso eu me pergunto: Onde foi parar a infância das nossas crianças?!

05/10/2010

Desânimo

Desde a última sexta-feira, quando tive a aquela síndrome de Tensão-Pré-Eleição, tenho andado extremamanete desanimada, sem energia pra nada, nem mesmo para blogar, que é uma coisa que eu amo fazer.
Tento não me deixar abater por problemas cuja solução não depende de mim, mas tem coisas que são muito difíceis de controlar. Ainda bem que tudo nessa vida é passageiro, que essa fase é transitória, portanto, sei que  esse sentimento de prostração logo passará, esse momento será página virada ; até porque, não tenho a menor vocação para sofredora eterna.
Enquanto isso, ficarei aqui, quetinha no meu canto, esperando voltar aquela alegria que sempre tive, que faz de mim, a pessoa que sou: feliz por vocação.
Em minha vida pessoal tudo vai muito bem, graças a Deus, portanto, não se preocupem. O meu desânimo está relacionado apenas com o momento que nosso país está passando, com questionamentos que me faço diariamente, questionamentos que não me deixam  acostumar com certas coisas, embora, elas me façam sofrer. Ainda bem...nunca vou querer me acostumar com as coisas ruins que estão soltas por aí, com a maldade e com a mediocridade.
Esses questionamentos me fazem pensar em um trecho do livro O Mundo de Sofia, onde o filósofo diz: 

"Um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão cescendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam subir mais até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm a ousadia para se lançar nessa jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a conculí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:
-Senhoras e senhores - gritam eles- estamos flutuando no espaço!
Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interesssa pela gritaria dos filósofos.
-Deus do céu! Que caras mais barulhentos! - eles dizem.
E continuam a conversar..."


*Créditos Imagem: Mister Google

01/10/2010

Tensão Pré-Eleição

Sempre me considerei uma felizarda por não sofrer os sintomas da TPM, mas, ultimamente fui acometida por um outro tipo de tensão que tem me deixado igualmente irritada, esgotada, sem forças para lutar contra a correnteza, uma tensão que está, de fato, alterando o meu humor. Estou falando de tensão pré-eleição. Um mal súbito que me pegou desprevenida, uma vez que eu sempre penso que já estou vacinada e calejada contra certas indignações e decepções mas enfim...às véperas de mais uma eleição no Brasil, é assim que eu me sinto: uma palhaça triste, sem esperanças, sem fé que um dia as coisas por aqui possam melhorar, muito pelo contrário, a cada dia, vejo que tudo degringola, nada é sério nesse país. Falta justiça, falta cultura, falta discernimento, falta bom senso, falta esclarecimento, falta memória, falta caráter, falta educação. Por outro lado, sobra descaramento, corrupção, vandalismo, irresponsabilidade e cara de pau.
Muitos palhaços estão sorrindo e pulando de alegria nesse momento, enquanto isso, eu me entristeço e me recolho, assistindo impotente a todo o espetáculo de terror e palhaçada que  me foi imposto, que me foi empurrado goela abaixo.

23/09/2010

Porque Hoje é Primavera

Os Girassóis - Vincent Van Gogh
O frio se foi, a primavera chegou, o sol dá o ar da graça e a natureza  desperta em todo o seu esplendor. Nossos corações, agora mais iluminados, parecem também mais alegres e abertos às cores da vida, as paisagens parecem pinturas feitas de sonhos...

"Os quadros mais bonitos são aqueles com que sonhamos, mas que jamais pintamos. Sentimo-nos incompetentes diante da perfeição indescritível, dos gloriosos esplendores da natureza" (Vincent Van Gogh)

17/09/2010

Perdão - Blogagem Coletiva Sentimentos

Essa é a última semana da Blogagem Coletiva Sentimentos, proposta pela querida Glorinha do delicioso  Café com Bolo. O tema escolhido para encerrar nossa blogagem foi o perdão; um grande tema, que abre para nós muitas possibilidades de reflexão.

O perdão está diretamente ligado ao arrependimento. Quando perdoamos alguém, é porque esse alguém, supostamente, se arrependeu de ter feito algo que, de alguma forma nos feriu e assim também é, quando alguém nos perdoa. Mas o perdão envolve outro sentimento que  nos dias atuais muito se prega e pouco se pratica: a humilhdade; na verdade, esse é um sentimento cujo significado anda sendo deturpado.
Não consigo falar em perdão sem abordar essas questões, como arrependimento, humildade e confiança.

Tenho visto muitos bandidos, ladrões mesmo, marginais, assassinos cruéis na televisão, se dizendo arrependidos e até pedindo "perdão" aos familiares de suas  vítimas, mostrando-se tão "humildes" que são até capazes de se fazerem acreditados por muitos, mas será que isso é realmente sinônimo de arrependimento? É muito fácil se dizer arrependido e pedir perdão quando algo saiu errado, quando seus planos foram frustrados e eles foram pegos. O verdadeiro arrependimento é aquele que vem espontâneamente, que vem de dentro para fora da pessoa, sem interferências de fatos externos, é aquele que,  pressupõe-se, estejam ligados aos princípios nobres do ser humano, é quando as pessoas reconhecem seus erros por conta própria e deixam, realmente, de praticá-los. Se dizer arrependido e continuar praticando os tais erros é ser, para dizer o  mínimo, cínico, "cara de pau". 

Somos seres humanos, somos imperfeitos e portanto, somos passíveis de erros, de falhas que muitas vezes causam estragos e  dores em alguém, que não somos capazes de imaginar as feridas que abrimos no peito dessas pessoas. Porém, não somos seres irracionais, temos o privilégio de sermos seres pensantes e acredito que muitas dores poderão ser evitadas se nos colocarmos no lugar do outro,  se avaliarmos, com antecedência, as consequências dos nossos atos, os estragos poderão ser minimizados ou até mesmo evitados.

Perodar, para mim, não significa dar o outro lado da face, infinitamente, para o outro nos bater, não significa manter relações cujos laços  foram rompidos de modo irreparável. Claro que não sou nenhuma santa, não quero e nem tenho a pretensão de sê-lo, mas  não costumo guardar mágoas por muito tempo, acredito que elas, realmente, fazem mal, não para quem magoou e sim para quem as guardou .
Já fui perdoada muitas vezes e já perdoei outras tantas, são muitas as histórias de perdão em minha vida e eu poderia ficar aqui digitando o dia inteiro, mas vou contar apenas uma delas, que vem de encontro ao que acabei de falar, que perdoar não significa reatar laços rompidos por falta de confiança. Senta aí que lá vem estória,rs.
Eu estava grávida da minha segunda menina quando fui morar em uma pequena cidade do interior (minúscula mesmo,rs). Lá, eu me sentia sozinha, desamparada, carente e não consegui fazer muitos amigos, eu tinha uma cabeça moderna demais para aquele mundo tacanho (sem querer ser pretensiosa nem preconceituosa).

Logo, conheci uma moça da minha idade, que também estava grávida (da sua primeira filha)  e suas idéias pareciam estar em sintonia com as minhas. Não demorou muito para que fizéssemos amizade e logo que demos à luz as nossas meninas, os laços de amizade ficaram ainda mais estreitos. Passamos a frequentar a casa uma da outra, a trocar experiências sobre nossos bebês, íamos juntas à determinada  praça, diariamente, levar nossas filhas para tomar sol e brincar, compartilhavamos um café todas as tarde em minha casa, confidenciávamos nossos segredos mais íntimos.

Pouco tempo depois, ela foi abandonada pelo marido que a maltratava constantemente, chegando até a estourar  um dos seus tímpanos, com um tapa. Fiquei demasiadamente comovida com aquela situação da minha suposta amiga, e simplesmente, resolvi assumi-la como a uma irmã; assim passei a ser o seu suporte psicológico, emocional e financeiro, já que o marido da mesma "se mandou", voltou para seu estado de origem e nunca enviou um centavo sequer para a filha deles, e já que a mãe da minha suposta amiga era uma senhora de idade, que lutava com dificuldades para ganhar o pão de cada dia.

Praticamente adotei a menina. Tudo  que eu comprava para as minhas filhas, eu comprava para ela também, desde brinquedos até roupas, que eu chegava ao cúmulo de comprar iguais, para a minha caçula e para a outra, que tem mesma idade. Passei a levá-la ao mesmo pediatra que cuidava da saúde das minhas pequenas, comprava todos os remédios que o médico lhe prescrevia e olha que não eram poucos, nem eram remédios baratos, pois ela era bem doentinha, diferente das minhas.

Após, uns três, quatro anos, talvez, diante de algumas atitudes dessa "amiga",  eu comecei a me dar conta que a minha amizade não era  correspondida como eu pensava, comecei a achar que  estava sendo usada, explorada financeiramente e fui ter uma conversa com ela, que prontamente me pediu perdão pelas  suas atitudes que me levaram a pensar dessa forma. Eu, naturalmente, acreditei na mesma e a perdoei, pela primeira vez. Começava ali, uma história de vários perdões.

Tempos depois, ela se converteu a uma determinada religião, acho que lá recebia alguma ajuda financeira, pois simplesmente se afastou de mim sem dar nehuma explicação, como se eu fosse uma má influência para ela e sua filha. Isso aconteceu duas vezes e nas duas vezes, ela se decepcionou com as escolhas, voltou pedindo perdão por ter desprezado uma amizade "tão bonita". Nas duas vezes, eu perdoei e tudo voltou a ser como sempre fora.

Depois de muitos anos, ela já estava trabalhando e em uma viagem que fizemos juntas, usou o meu cartão de crédito para fazer compras em algumas lojas de grife, cujo valor comprado foi altíssimo, mas eu acreditei que ela me pagaria, jamis imaginei que ela me daria um tremendo calote como aquele, porém....Foi exatamente o que aconteceu. Tive que parcelar o débito em 12 vezes, para não ter meu nome incluído no cadastro de maus pagadores, até porque, eu não estava passando por um bom momento financeiro. Fiquei muito magoada porém, mais uma vez a perdoei, considerando que ela não tinha maturidade suficiente para lidar com dinheiro.

Lembram quando falei do tímpano que que o marido da mesma havia estourado com um tapa? Pois é, ela fez a reconstituição; e advinhem quem deu todo suporte necessário? Sim. Eu mesma, que além de contribuir financeiramente, larguei mãe, filhas, marido e pedi licença do emprego, por um período, para cuidar dela, até que a criatura se recuperasse.


Anos mais tarde  fiquei muito doente, precisei fazer uma cirugia de grande porte  e claro que eu esperava dela um pouco de apoio moral, um ombro amigo, até porque eu estava muito, muito triste com certos acontecimentos da minha vida naquela época, além da doença, mas o que recebi dessa pessoa foi um desprezo total. Ela não tinha tempo (estava envolvida com um novo namorado), não tinha paciência e muito menos disposição para me ouvir ou me acompanhar durante a cirurgia, nem tão pouco para me visitar durante o pós-operatório. Voltei para casa depois de um mês, sem receber sequer um telefonema da tal "amiga". Ela  só apareceu em minha casa, 15 dias depois de eu ter voltado, ficou durante 20 minutos aproximadamente (não mais do que isso) e quando comentei o quanto eu estava triste com a sua atitude ela disparou o seguinte comentário, que explodiu como uma bomba sobre minha cabeça.
-Tenho mais o que fazer do que ficar paparicando você. Foi que ela disse.
Fiquei atônita e chorei, chorei muito naquele instante, chorei e lamentei quanto fui ingênua, o quanto fui boba.

Eu soube depois, por diversas fontes,  que confidências que lhe fiz, foram espalhadas ao vento.

Ela teve mais um filho com aquele namorado do qual falei, viveu com ele por um tempo e não me procurou mais. Depois, foi abandonada por ele também, e sozinha, muito carente, voltou a me procurar, dizendo que havia errado bastante comigo e queria consertar as coisas, para que a nossa amizade voltasse a ser  o  que um dia fora. Claro  que  eu não quis mais me relacionar com ela, risquei seu nome da  minha lista de amigos, sem no entanto, me tornar sua inimiga. Não lhe desejo o mal, quero que fique bem, porém, que seja longe de mim. Se eu a perdoei? Sim. Tenho o coração leve, a consciência tranquila de quem perdoa.

Com a maturidade compreendi que tudo na vida tem limite, até mesmo o perdão. 

* P.S- Quero agradecer a nossa amiga Glorinha por ter nos dado a oportunidade de vasculhar as gavetas de nossas mentes e compartilhar fatos, exeriências de nossas vidas, que de alguma maneira, talvez possam servir de reflexão para outras pessoas e muitas vezes, para nós mesmos.
Como ela mesma, a Glorinha, costuma dizer, "foi uma verdadeira catarse"!


* Créditos: Imagens daqui

12/09/2010

A felicidade está dentro de cada um de nós...

...Basta querer encontrá-la.
Dedico o post de hoje a uma pessoa muito, muito querida, uma pessoa muito amada, mas que anda bem triste, ultimamente. Não citarei o nome porque não quero expor a mesma...Certamente, ela saberá de quem se trata.


* Créditos vídeo: Taís2937 - Youtube 

08/08/2010

Pai...

Tem tantas coisas que eu gostaria de te dizer hoje, mas as palavras fogem do meu controle e se dispersam por idéias desconexas.
Eu sei que fui a criança com a qual você sonhou e quando eu nasci você já tinha mais de quarenta anos. Cheguei grande, forte, saudável e para sua alegria, diziam que eu era parecida com você. Não demorou muito para você se tornar o meu herói, meu pai amado, meu tudo, e apesar de você nunca ter me dado uma palmada eu lhe obedecia sem questionar, diante de um simples olhar que você dava para mim. Você era aquele tipo de pai que me ensinava a cantar, que me pegava no colo e cantava para mim, que me fazia adormecer em seus braços com suas canções de ninar, e mesmo que essas canções não fossem exatamente canções de ninar, elas acalentavam meu coração e me faziam acreditar que entre nós existia uma cumplicidade que ninguém, nesse mundo, seria capaz de abalar.
Como todos os pais amorosos, você fazia planos para o meu futuro. Lembra  de quantas vezes discutimos porque você dizia que eu seria professora, enquanto eu afirmava categoricamente, que seria engenheira? Você, machista como era a maioria dos homens do seu tempo, dizia-me que engenharia não era profissão para mulheres, porém eu não lhe dava ouvidos e tentava lhe convencer  de que as mulhres poderiam, muito bem, ocupar o cargo dos homens; acho que eu já gostava de quebrar regras, já era uma menina na contramão.
Aprendi com você o que era cidadania,  o que era política e num misto de orgulho e preocupação você dava respostas evasivas para minhas perguntas, tentando me manter longe dessas idéias. Você criou expectativas que eu nem sempre correspondi. 
Mas o tempo foi passando pai, e aos poucos você foi se afastando de nós, então eu passei a enxergar muitas coisas, entre elas o motivo dos prantos noturnos da minha mãe, que por sua causa sofria tanto.Você mentia para ela e passava noites e mais noites fora de casa, você a enganava dizendo que estava na fazenda, cuidando dos seus negócios enquanto na verdade estava mesmo era participando de festas que eram promovidas e patrocinadas por você, você a traía diante dos olhos de todos e eu a via sofrer calada, resignada, já que naquela época, ser traída pelo marido era menos pior do que ser uma mulher desquitada, com uma filha para criar. Quanta humilhação você a fez passar, pai! Sinto dizer, mas seria pedir muito que eu não tomasse partido naquela situação. Além de ser filha, eu também sou mulher!
Toda aquela admiração que eu tinha por você foi se diluindo nas dores e nos prantos da minha mãe.
Certo dia resolvemos, minha mãe e eu, lhe fazer uma surpresa e aparecemos, sem aviso prévio, em sua pequena fazenda. Mal sabíamos nós que a maior surpresa seria nossa, pois lá estava você, nos braços de outra mulher. Aquilo foi demais para nós, pai. Foi aí, então, que rompemos relações pela primeira vez e ficamos alguns anos sem nos falarmos. Eu era só uma adolescente e aquilo abriu uma ferida em meu peito que sangrou durante décadas.
Para mim era inconcebível sua infidelidade, sua falta de lealdade para com aquela mulher (no caso, minha mãe) que tinha seguido você pela vida afora por mais de trinta anos, que se desfez de tudo que tinha, um belo patrimônio, para embarcar em suas idéias, nem sempre sensatas, que ficou ao seu lado quando você estava entre a vida e a morte, que quando não tinha mais o que vender,  tirou do pescoço suas jóias mais valiosas, tirou dos seus dedos seus anéis dos quais tanto gostava, para comprar remédios para você, para salvar a sua vida, meu pai.
Ainda sou aquela mesma menina, a quem um dia você ensinou que honestidade não é mais do que obrigação e que lealdade é uma das maiores virtudes do ser humano e por isso mesmo rompemos  e só valtamos a nos falar depois de inúmeros apelos, sinceros, da minha mãe. Foi com ela que aprendi a perdoá-lo.
Alguns anos se passaram, eu me tornei  adulta e tentei entender a sua cabeça. De de certa forma, sei que obriguei você a fazer escolhas. Certamente não tinha esse direito, mas naquele tempo eu não pensava assim.
Hoje, vendo você tão velhinho, no alto dos seus quase 90 anos, me dói o coração, só de pensar que você não terá muito tempo pela frente, que está fraco, cansado e desgastado pelas rasteiras que a vida lhe deu, que talvez não sobreviva a mais um AVC...
Todas as vezes que nos encontramos nos abraçamos entre risos e lágrimas e todas as vezes que nos despedimos, com lágrimas escorrendo pelos nossos rostos, eu tenho a certeza que, apesar de tudo, eu te amo. Mesmo assim, fico me perguntando se a nossa história poderia ter sido diferente, mas o fato é que os caminhos que  escolhemos trilhar, nos conduziram ao que somos hoje, então, um misto de amor e dor me consome o peito, ao pensar que existem tantas coisas que não foram ditas por nós, que foram sufocadas ou ficaram  apenas subentendidas e que talvez não tenhamos tempo para falar sobre tudo que aconteceu em nossas vidas.
De qualquer maneira, hoje, penso que muitas palavras se tornaram desnecessárias, a essa altura da vida, que o amor e o perdão basta, nesse momento.

30/07/2010

O Medo - Blogagem Coletiva "Sentimentos"

De repente eu fui tomada por um medo avassalador, que penetrava minha alma e fazia tremer todo o meu ser.Tudo doía muito e essas dores eram reais. Meu coração se contraía tanto, que às vezes eu pensava que ele tinha sido expelido pelo meu corpo através dos poros. Era uma dor imensurável, uma dor tão grande que em toda a minha existência eu jamais imaginei que alguém pudesse senti-la e muito menos que alguém pudesse sobreviver depois de passar por aquele sentimento.
De repente eu estava ali, encolhida no corredor frio em posição fetal, e eu voltei a ser uma criança que pede colo desesperadamente, uma criança com medo da escuridão da noite. Me sentia tão pequena, insignificante e desamparada, completamente desorientada, sem norte nem sul, sem ter a menor noção de como amenizar tudo aquilo.
Nem todas as palavras do mundo eram capazes de me transmitirem segurança. Eu as ouvia, mas elas soavam distantes de mim, pareciam ecos  que aos poucos iam se afastando, tornando-se inaudíveis, eram somente vibrações, nada mais.
O que restava era a frieza e a dureza do granito ao meu redor e os calafrios que transformavam meu pranto em uma crise convulsiva. Então, olhando através daquela janela eu vi,  brilhando ao longe, as luzes da cidade e me perguntei se algum dia as luzes dentro de mim voltariam a brilhar. Não houve resposta, e mais uma vez eu cheguei a conclusão de que o medo vinha carregado de incertezas  que não houvesse amanhã.


03/07/2010

Ideologia

Sofro de um mal incurável: Ideologia. Não aquela na concepção crítica de Karl Marx, para quem a ideologia age mascarando a realidade através de uma falsa consciência e sim, a ideologia na concepção neutra, aquela de visões de mundo...
Hoje estou tão filosófica que é melhor ficar por aqui, ouvindo Cazuza e matutando...Com meus "botões".

02/07/2010

Momento de Transição

...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
(Clarice Lispector)

Caros amigos, sei que estou em falta com vocês mas tenho andado por caminhos que me calejam os pés, tenho pisado em espinhos que me fazem gemer de dor, tenho passado por veredas  escuras para tentar alcançar a luz.
Dizem que a cada sete anos, muitas coisas mudam em nossas vidas, que elas precisam mesmo mudar. Não sei se isso faz sentido, mas estou completando uma dessas fases e realmente, mudanças se fazem urgentes e necessárias  em minha vida. Preciso mudar coisas que não estão boas e ao mesmo tempo  penso em algo que ouvi, de uma amiga, semana passada: "depois que chegamos aos 40, não podemos nos dar ao luxo de errar em nossas escolhas." Sinceramente, não sei se concordo com isso mas sei que hoje em dia tenho mais medo de errar do que tinha antigamente e tenho plena consciência que o medo é um dos piores sentimentos que alguém pode ter. O medo nos paralisa diante da vida e isso, definitivamente, não combina comigo.

15/06/2010

Yes...


"Nós temos bananas...
Bananas pra dar e vender..."

02/06/2010

Viajando....

Tenho andado muito cansada, estressada com o meu trabalho, muitas vezes sem ânimo e quando isso acontece eu preciso recarregar as "baterias", renovar as energias, entrar em contato com a natureza para me sentir livre, para me sentir revigorada. Apesar de levar uma vida bastante agitada, em meio ao caos paulistano, eu necessito do contato com a natureza, esse contato alimenta minha alma e, quando  possível, é para ela que fujo em busca de mim mesma e é lá que me encontro, que faço as pazes comigo. Daí então, volto mais leve. 
Vou, hoje mesmo, para um dos belos destinos de inverno na Serra da Mantiqueira e se alguém aí pensou em Campos do Jordão, errou feio. Nada contra Campos, eu adoro aquele lugar, mas não quero saber de badalaçao, estou vivendo um momento intimista.  Vou me refugiar no meio do mato, no alto das montanhas, onde posso acordar ouvindo o canto dos passarinhos, dormir com o barulho das águas  de uma cachoeira e no dia seguinte, fazer caminhadas com o meu amor,no meio da  floresta de araucárias, colher flores no jardim e, quem sabe, fazer um piquenique, tomar café na varanda...Ah, essa blogagem  coletiva"Vida Simples" está me deixando inspirada.
Imagem Goggle
Vou alimentar não apenas a alma mas também o corpo. Farei fondue de chocolate e quero voltar a ser criança,  lambuzar os dedos e comer sem censura.
Depois do almoço, quero dormir na rede e quando acordar, quero me debruçar sobre o lago e fazer a pergunta: "espelho, espelho meu, existe alguém mais feliz do que eu?"
Quando a noite chegar, acenderemos a lereira e ficaremos ali...Olhando o fogo, ouvindo o estalar das brasas,  divagando, nos amando, conversando...E as nossas conversas serão regadas à vinho, para celebrar o amor, para celebrar a vida e tudo de bom que ela nos oferece pois, muitas vezes nos esquecemos de dar o devido valor às coisas que realmente são grandiosas.

Imagem Google
Como tudo que é bom, sei que esses dias passarão rápido e a realidade me chamará de volta mas...Quem disse que sonhos não podem ser reais? Quem disse que a realidade não pode ser transformada em sonho?

"...Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
De ser feliz."
(Almir Sater/Renato Teixeira) 

Não sei se conseguirei acessar a net. Vou tentar, mas se por acaso eu sumir até segunda-feira, perdoem essa pobre alma, refugiada no meio do mato durante esses cinco dias, em busca de simplicidade, de momentos essenciais.




27/05/2010

Saudades Desse Lugar...

Hoje, fiquei relembrando momentos pra lá de especiais, que vivi em Humauaca.Um lugar que é Patrimônio Cultural da Humanidade, cujo povo  simples e hospitaleiro nos encanta a partir do instante em que colocamos os pés naquele chão.
Lá, eu conheci  a cantora Monica Pantoja cuja voz é quase um lamento, e sua música maravilhosa, que agora faz parte da trilha sonora da minha vida e embala  algumas das minhas mais lindas lembranças.